[a caixa de sonhos]
quando menina, ela escrevia sem parar. tinha mania de colocar seus desejos e sonhos em papel. sempre tivera esse hábito. escrevia em papéis perfumados, usava canetas coloridas. lia, relia, e antes de colocá-los na velha caixa de sapatos, dava um beijo no papel (prá dar sorte, dizia).
e assim seguia a menina, vivendo sua vidinha, acreditando em seu íntimo que aquelas palavras depositadas na caixinha se tornariam realidade. a sua realidade.
hoje, sem querer, lembrou-se dela. como era mesmo? por onde andaria sua velha caixa de sonhos? procurou, procurou muito, como se fosse a coisa mais importante naquele momento. encontrou-a num velho baú, surrada, quase fazendo revelar seu precioso conteúdo. sentiu o coração bater descompassado, era como se sua vida inteira dependesse do que havia na caixa.
lembrava vagamente das palavras. foi então retirando os pequenos papéis, um a um. não havia mais o perfume, a tinta estava fosca e falhada, mas reconhecia neles sua letra, cheia de capricho, como quem ouvesse escrito o livro da vida.
ao abrir o primeiro, seus olhos se encheram d´água, dizia: "quando eu crescer, quero ser bailarina". não, não era isso em que havia se tornado, seu trabalho não exigia dela a beleza do corpo nem a delizadeza dos gestos. seu trabalho somente exigia que fosse conivente com as vontades alheias. estufou o peito, encheu-se de coragem, e pegou o papel seguinte. nele estava escrito: "quero casar com 19 anos e ter filhos, muitos filhos. quero uma casa com varanda e uma cerca branquinha. quero, quero..." aquelas palavras tocaram seu coração, e sem perceber, a moça forte e cheia de si estava tal qual uma garotinha, encolhida em seu quarto, chorando um choro abafado e cheio de mágoa. chorou, sentiu pena de si mesma, e decidiu então rasgar os papéis. não queria mais saber que não realizara nada daquilo que sonhou um dia.
de súbito, olhou para trás e viu fotos. fotos de sua família, de pessoas e amigos que amava. viu suas crianças de coração (e são tantas), e sentiu uma paz que há muito não sentia. compreendera enfim, que a vida nem sempre nos leva pelos caminhos que desejamos. nem sempre nos tornamos o que queremos. mas sentia-se feliz por ter se tornado a mulher que estava agora diante dela. sua imagem refletida no espelho era a imagem de uma mulher que ama, que chora, que luta, e que, acima de tudo, vive a vida da maneira que lhe é oferecida.
*
os sonhos dos papéis?
ah, hoje ela entende que só depende dela mesma. que não basta somente escrever, desejar, mesmo que seja com toda força do coração. é preciso mais do que simples desejo, é preciso ir à luta. e é o que ela faz agora. corre atrás dos sonhos de criança com a determinação de uma mulher.
(03.06.2003)
*
porque a caixa de sonhos hoje se encontra cheia, cheia...
e porque como diz meu pequeno: "a vida é boa tia jui"
por juliana pelegrini às (21:28) Diz aí:
diga aqui também...
lunedì, maggio 3
[ perguntas ]
ontem a noite ela disse sim à pergunta que docemente saíra de sua boca. desde sempre, teve certeza de que era isso que seu coração ansiava. apesar de haver desistido do sonho outrora, o som mágico daquelas palavras a fizeram desejar novamente.
já tinha dito que sim tantas outras vezes, mas essa havia sido diferente. essa tocara seu coração tão profunda e ternamente que, de sua janela embaçada, podia-se perceber com clareza que as lágrimas teimavam em lamber-lhe a face. era a certeza de que não estaria mais só. a confirmação do que há muito sabia. diria sim quantas vezes fosse perguntada. diria sim no dia em que se tornaria sua para sempre...
por juliana pelegrini às (10:53) Diz aí:
diga aqui também...
||| That´s me...
Eu sou: chata
Me magoa: palavras duras
Eu amo: coca cola, pileque leve, beijo na boca e cafuné
Eu quero: v o c ê
Eu odeio: a vida como ela é... (realidade)
Eu choro: um monte
Eu temo: que a gente deixe passar as oportunidades...
Eu espero: acontecimentos...
Eu gasto: compulsivamente
Eu falo: muito pouco (teclo melhor do que falo)
Eu quebro: minhas unhas (sempre)
Eu lembro: de tudo. Eu não esqueço nada.
Eu durmo : e sonho com você
Eu escondo: que tenho medos...
Eu dirijo: minha frustração...
Eu queimo: calorias, neurônios
Eu respiro: vida...
Sinto saudades: de como você era
Eu sei: quase nada
Eu sonho: exagerada e loucamente
Eu morro: de amor
Estou ouvindo: maxwell, enya, leann rymes, luna, norah jones, pedro mariano (amo), djavan (amo tb)
Amanhã eu vou: viver (de verdade...)
Vou falar com: alguém
Vou beijar: v o c ê
Icq: 176492568
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